sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Uma história

Quem a vê, calma e silenciosa, às vezes cantarolando, dificilmente saberá o que lhe vai na alma...

Ela lê, escreve ou trabalha em casa, sai e fala com os outros, sorri e se fecha em seu mundo.

Quem a vê rindo alto, de uma piada qualquer, não imagina o que lhe vai pelo coração, esse cofre tão bem trancado...

A vida a fez assim, uma mulher que pediu tanto e recebeu tão pouco!
Não que tenha sido uma mera espectadora, pelo contrário! Foi e é protagonista de sua história.
Talvez por ter tanto amor guardado , tão disponível a distribuí-lo generosamente, sempre teve esse amor tirado de si, sem retorno.

Não que já se tenha ouvido queixas, ela vive, ama e, se sofre, só ela sabe.
Seu sorriso generoso, sua palavra amiga, de conforto, de solidariedade, sempre estão prontos para quem deles necessita.

A vida a fez assim, uma rocha no leito do rio, forjada pelo entendimento do ser humano, a despeito do seu egoísmo.
Ela construiu, ao seu redor, um jardim, um oásis no qual recebe quem chega, sem perguntas nem cobranças...

Ela, como disse Quintana, não corre atrás das borboletas, apenas cultiva o jardim para que este possa recebê-las...

Quero acreditar que alguém a veja como é, que perceba sua solidão e que se aproxime sem pedir, sem perguntar, que apenas a envolva nos braços e deixe que repouse sobre um coração amoroso...

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