Boa noite...
Palavras que, no silêncio do mundo, deixam livres os rumores da alma...
Da janela vejo as luzes que brilham encobertas por uma tênue neblina.
A lua, meio escondida, olha a noite seguir seu curso, fingindo que anda pelo céu...
Poucas janelas iluminadas mostram que tenho companheiros de vigília.
O que fazem? O que pensam? O que procuram nessa hora tão tardia?
Ouço um telefone que toca... O som se amplifica na insistência do toque.
Quem teria essa urgência? Silêncio novamente...
O telefone volta a tocar e depois desiste.
Continuo na janela.
A limpeza urbana passa recolhendo os restos do dia anterior, numa rápida algazarra que não perturba esse momento de intervalo entre o ontem e o amanhã...
As nuvens caminham pelo céu seguindo seu eterno passeio, em suas formas mutantes como a vida.
Será absoluto, esse silêncio ? Estará realmente dormindo toda essa cidade?
Meu pensamento, então, caminha pelos hospitais, nessa hora em que bebês costumam fazer sua ruidosa estréia no palco da vida, passa por todos os trabalhadores cujo relógio biológico é ativado pela noite.
O sono lhes é roubado para que o nosso seja mais tranqüilo e seguro.
Uma freada brusca e um palavrão. Breve intervalo na calma aparente.
Alguém grita.. Um pesadelo?
Um filho chega em hora não autorizada e carimba olheiras na face da mãe...
Tudo acontece nessa hora em que julgamos que o mundo para.
O tempo vai passando, meus olhos continuam buscando novas luzes na noite que se descortina do alto dos vinte andares onde estou.
Em breve, o primeiro bem-te-vi vai pousar no prédio em frente, os ônibus voltarão a despejar sua fumaça no ar seco da cidade e os primeiros passantes seguirão rumo ao novo dia, sem imaginar que uma insone observadora segue seus passos que desaparecem na esquina.
Indiferentes, dia e noite se encontram, na eterna cerimônia da troca de guarda.
Um vento frio anuncia que a luz pode chegar a qualquer momento, que eu preciso fechar os olhos e deixar que o sono me abrace, na certeza que tudo está em seu lugar. Logo poderei olhar pela janela e ser grata por mais um dia, pela nova oportunidade com que a vida me presenteou, pôr em prática as resoluções que a noite me sugeriu e poder crescer um pouco mais...
Tudo está em seu devido lugar, as luzes começam a se apagar e fecho meus olhos, enfim repelta da noite, pronta para um novo amanhã...
Bom dia!
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3 comentários:
A madrugada sempre esconde um monte de fantasmas em meio ao silencio ruidoso que às vezes assusta. Mas mesmo assim, ainda me sinto mais viva durante a madrugada do que em qualquer outro período do dia.
Adorei o espaço...
Abraços...
Obrigada pela visita a esse tímido espaço... Parece que somos parceiras de madrugadas.
Venha sempre, comente, critique. Beijo!
A madrugada é perfeita para a comunhão dos sentidos, principalmente por aguçar a audição enquanto todo o visual ganha tons escuros sob a luz de mercúrio. Aí os notívagos, os vampiros e os vagabundos se olham mas não se enxergam, trombam-se sem gentilezas e nem percebem que compartilham a mesma noite.
Adorei as imagens que surgem no texto, principalmente por conhecer essa vista e esses sons. Beijos do teu genro!
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