Lancei o rosto ao vento,
louco espectro sem nome!
Voava e via, lá embaixo,
sangue, ferro, fogo e fome.
Se empunhei flores e cantos,
quem me seguirá buscando a sorte?
Quem virá, por mim, chorar
quando, do tempo, só restar a morte?
Perguntas sem resposta...
Os olhos saltando das órbitas,
a carne queimada, seu cheiro no ar,
Incandecentes palavras num grito de vida,
Poder! Morte! Fugir! Lutar!
Se houve braços abertos no sonho,
os olhos e os lábios falando de luz
Só o mártir viu verdade,
em berros, com ferros, pregado na cruz!
Não era isso que eu queria...
Gritei pelo dia, no tempo, um imbecil!
E as cores me fugiram pelos dedos,
assim como aquele corpo me fugiu.
Amor, ódio vão passando,
tudo, aos poucos, se esvai...
Nada sou e, nada tendo,
o vento cessa e o rosto cai.
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