quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Chuva forte

Chove... Chuva forte, água que faz a imagem da janela parecer um espelho d'água.
O dia caminhou lentamente para isso. Dia quente, abafado, sol escondido e uma garoa enjoada...
Enjoada como eu, alguém me disse...
Hora de mudar? Ou só a insatisfação de alguém?
Continua chovendo... a água lavando as ruas, fazendo as pessoas caminharem apressadas, escondidas sob seus gurada-chuvas de tantas cores, única nota que destoa do branco que a chuva traz.
A noite já chegou, o horário de verão perdeu sua força, hoje...
Noite para ficar quieta, pensando, um livro ou música para acalmar a inquietação que não me deixa.
Ando querendo mais.... não sei o que mas querendo.
Uma sucessão de palavras quase sem sentido, que refletem um momento de pura interrogação em minha alma.
A chuva, essa leve pra longe as perguntas... Quero respostas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sem título

Prosseguem os devaneios.... uma busca de não sei o que...
Saudade do que foi ou do que ainda não veio?
Noite... luz nas ruas vazias de gente.
A TV ligada desfila seu circo de imagens e cores, sem que eu a focalize.
O olhar vai muito além , sabe Deus pra onde...
Uma certeza, uma dúvida.
Ler Clarice Lispector me fez querer algo mais..
Nem sei o que me vai na alma...
Uma sensação de vazio a preenche.
Tentar buscar no esquecimento do sono, a busca que não tem rumo certo.
Apago a luz mas não a memória.
Amanhã é outro dia...
Uma sucessão de dias que não têm fim.
Uma palavra, ainda não dita, poderá acalmar a inquietude desta alma?

domingo, 2 de novembro de 2008

E a vida continua...

Num domingo qualquer, qualquer hora... diz a canção, a vida continua, não é?

Às vezes podemos interferir, às vezes não, afinal...
E se eu quiser fugir? e se eu quiser ficar?
Pensamentos dispersos, nada e tudo fazem sentido.
Na verdade, apenas o que queremos faz sentido, só não sabemos como alcançar, em determinadas situações.
Estou aqui, à procura de uma razão para esse devaneio e ainda penso como oCazuza:
"Até nas coisas mais banais/Pra mim é tudo ou nunca mais"
Penso, então, que ainda busco esse tudo... Virá ou não?

Quero, mesmo, uma ideologia pra viver?
Seguir o curso dos dias e esperar.
Talvez o tempo, que não para, possa me dizer...

domingo, 24 de agosto de 2008

Decepções... que não as tem?

Não consigo pensar em algo mais cruel que a mentira.
Que perfil se pode traçar de alguém que mente? Não aquela mentira da criança que esconde o boletim, não a mentira que contamos à vizinha fofoqueira... certos de que será reproduzida mas que não atingirá ninguém...

A mentira que fere, que é dita sob a máscara da verdade, do carinho e do amor...
Essa é o retrato da crueldade!
Pensar que acreditamos e nos sentimos felizes por sermos queridos...
Pensar que aquele alguém é doce, sincero e leal...
Depois descobrir apenas frases feitas, copiadas do almanaque... mas tão bem colocadas.
A doçura das palavras encobrindo uma alma pobre, indigente.

Como diziam antigamente, a mentira tem pernas curtas e anda devagar...
Nem sequer é necessário ir atrás, ela surge à sua frente, mais depressa do que imagina.

Peguei um mentiroso hoje, por mero acaso, como costuma acontecer.
Era um amigo, tão amigo, pensava eu.
Pego de surpresa, apenas o silêncio e a retirada imediata, inglória.
Uma vitória? Apenas o sabor amargo de uma descoberta...
Fica a lição.

Embora decepcionada ainda acredito no ser humano, na capacidade de se doar, de compartilhar e sonhar.

Num mundo em que há desamor, frieza e medo vou para um oásis, daqui a pouco, vou dividir poesias com pessoas que abraçam e acolhem o outro sem perguntas, sem cobranças.

Tudo com perfume de alfazema e erva-doce...

( para Poeta e Lua)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O que encanta

Ontem, procurando alguma coisa decente ( ah! doce ilusão) na TV aberta, dou de cara com um bate-papo com a Adélia Prado....

Que figura doce e forte! Cabelos brancos, o rosto marcado por finas rugas e olhos tão vivos!
Que discurso cativante, que raciocínio brilhante!

De tudo que ouvi, encantada, ficou-me na memória o que disse sobre aquilo que encanta, aquilo que nos deve mover pela vida...
Nada de heróis, "já imaginou a Joana D'Arc? Devia ser muito chato viver com armadura e depois morrer na fogueira"...

Os heróis, geralmente, ganham essa dimensão após a morte. E qual é a graça disso, afinal?

O que deve nos encantar é o cotidiano, são as pequenas coisas do dia-a-dia que nos mostram a beleza de estarmos vivos.
É do cotidiano que precisamos extrair o encanto, a beleza, o perfume e a cor de cada momento!
Fiquei matutando, aquilo realmente mexeu comigo.

Hoje pela manhã, achei lindo o canto do operário que estava limpando a minha janela, pendurado numa cadeirinha, no vigésimo andar do prédio...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Uma história

Quem a vê, calma e silenciosa, às vezes cantarolando, dificilmente saberá o que lhe vai na alma...

Ela lê, escreve ou trabalha em casa, sai e fala com os outros, sorri e se fecha em seu mundo.

Quem a vê rindo alto, de uma piada qualquer, não imagina o que lhe vai pelo coração, esse cofre tão bem trancado...

A vida a fez assim, uma mulher que pediu tanto e recebeu tão pouco!
Não que tenha sido uma mera espectadora, pelo contrário! Foi e é protagonista de sua história.
Talvez por ter tanto amor guardado , tão disponível a distribuí-lo generosamente, sempre teve esse amor tirado de si, sem retorno.

Não que já se tenha ouvido queixas, ela vive, ama e, se sofre, só ela sabe.
Seu sorriso generoso, sua palavra amiga, de conforto, de solidariedade, sempre estão prontos para quem deles necessita.

A vida a fez assim, uma rocha no leito do rio, forjada pelo entendimento do ser humano, a despeito do seu egoísmo.
Ela construiu, ao seu redor, um jardim, um oásis no qual recebe quem chega, sem perguntas nem cobranças...

Ela, como disse Quintana, não corre atrás das borboletas, apenas cultiva o jardim para que este possa recebê-las...

Quero acreditar que alguém a veja como é, que perceba sua solidão e que se aproxime sem pedir, sem perguntar, que apenas a envolva nos braços e deixe que repouse sobre um coração amoroso...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Terra de Ninguém

Em que terra vivo? Em que tempo vivo?

A cada dia que passa, mais me assusta o rumo que o país vai tomando.
A Justiça se faz cada vez mais lenta e mais incompreensível. As algemas "constrangem" os réus e ferem os Direitos Humanos, segundo o ministro e os juízes do Supremo...
E a sociedade?
Não tem seus direitos feridos, sua integridade ameaçada por essas e outras medidas arbitrárias?

E os pretendentes a cargos públicos? mesmo aqueles que estão em situação de dívida com a sociedade, julgados ou não, esses podem ser eleitos?
Tudo em nome do "in dubio pro reu"?
Como acreditar que não caminhamos para o caos total?
Fico pensando... um ex-governador, ex-candidato à Presidência, cuja atuação tem sido, no mínino risível, o nome sob tantas suspeitas, junto à doce esposinha, ainda aparece na TV falando em nome de Deus?
Que Deus?

A Polícia recebe treinamento para "abordagem segura" de suspeitos... só agora??? mas isso já não deveria fazer parte dos procedimentos iniciais da preparação de um agente da Lei?
Um policial que prende dois bandidos, é baleado por um deles, reage e mata um... morre em conseqüência dos ferimentos e é censurado, mesmo morto, em rede nacional, porque os bandidos tinham 16 anos???

Penso que sou ingênua... ou estou almejando a utopia???

Os direitos dos cidadãos, tolhidos por medidas descabidas, arbitrárias e desnecessárias, políticos que legislam em causa própria, cada vez mais livres e protegidos por imunidades absurdas ao invés de honrarem as promessas e os votos que receberam desse povo faminto de comida e de uma vida mais digna...
Tudo me assusta, tudo me leva a pensar que caminhamos para uma guerra que, quando irromper, não será contida por medidas restritivas...

Paramos para pensar e organizar ou vamos em direção a que?

Vejo apenas os limites de uma terra de ninguém...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Genro

Teoricamente, o genro é aquele cara que surge na vida da gente, só para levar a filha que deixou de ser menina...

Teoricamente, o genro é aquele cara que entra na sua casa e vai se acomodando, tomando conta de espaços tão íntimos e vira tudo do avesso...

Teoricamente, o genro é aquele cara que come todos os salgadinhos que você programou usar amanhã...

Mas aí me surge uma pessoa diferente do clichê...

Menino educado, maneiras até refinadas, inteligente e meio palhaço... ele traz salgadinhos e pergunta de qual eu gosto... Ajuda até a lavar a louça...
Fui me acostumando com sua presença, entendendo que gosta da filha que agora se prepara para nova fase de vida e que respeita o meu modo de viver...

Se o genro apresenta alguns traços de imaturidade, isso é compensado pela capacidade de ouvir, dialogar e aceitar críticas ou sugestões.
Aquele cara que eu acreditava ter vindo para tirar algo que me é tão querido, tão amado a despeito dos desentendimentos do dia-a-dia, veio trazer a presença agitada e curiosa da juventude, passando a fazer parte da minha vida, como se tivesse estado comigo desde há muito...

Esse genro, em especial, é um amigo que veio fazer parte da minha vida.
É um cara que acrescentou uma pedrinha colorida no mosaico que a vida me fez construir e a quem só posso dizer... seja bem vindo!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Lembranças.

Da minha infancia, uma das lembranças mais vivas, entre tantas que me povoam a memória é a de minha mãe fazendo macarrão em casa.

Sábado à tarde, a cozinha já no lusco-fusco da São Paulo dos anos 50, sem poluição e sem paranóias, mamãe preparava uma montanha branca de farinha sobre a mesa, abria uma cratera no centro e lá derramava o ouro e prata de tantos ovos...
Olhava fascinada o amálgama que era produzido. Ovo e farinha fazem macarrão? Das maõs elegantes de minha mãe nascia uma extensa toalha de massa, aberta pela competencia daquelas mãos e que se derramava mesa abaixo.

E eu?
Embaixo da mesa observava aquele mistério ser transformado em tiras de "tagliatelle", "fetuccini" e centenas de quadradinhos resultantas das sobras dos cortes perfeitos, destinados a preencher de sabor muitos pratos de sopa...

Nada de máquinas, nada além das mãos daquela mulher forte, que amassva com as mãos, esticava com enorme ( me parecia) rolo aquela massa e a cortava com faca afiada.
Naquele tempo não tínhamos televisão, meu pai lia seus intermináveis livros na sala, mamãe trabalhava lépida na cozinha do apartamento do Brás, ouvindo a Rádio São Paulo...

E eu?
Ficava flanando de lá pra cá, filha única ainda, entre as figuras que me troxeram ao mundo, à vida.

Lembranças que hoje me emocionam e me levam ao dia, muitos anos depois, em outro apartamento, no Rio de Janeiro; papai já se foi, deixou-nos saudades e os livros, mamãe com seus cabelos já grisalhos e eu observando minha filha, embaixo da mesa, roubando pedacinhos de massa que minha mãe fazia...

E eu?
Vejo o ontem , o anteontem e vislumbro o futuro... Sigo feliz.

Madrugada

Boa noite...
Palavras que, no silêncio do mundo, deixam livres os rumores da alma...

Da janela vejo as luzes que brilham encobertas por uma tênue neblina.
A lua, meio escondida, olha a noite seguir seu curso, fingindo que anda pelo céu...
Poucas janelas iluminadas mostram que tenho companheiros de vigília.
O que fazem? O que pensam? O que procuram nessa hora tão tardia?
Ouço um telefone que toca... O som se amplifica na insistência do toque.
Quem teria essa urgência? Silêncio novamente...
O telefone volta a tocar e depois desiste.

Continuo na janela.

A limpeza urbana passa recolhendo os restos do dia anterior, numa rápida algazarra que não perturba esse momento de intervalo entre o ontem e o amanhã...
As nuvens caminham pelo céu seguindo seu eterno passeio, em suas formas mutantes como a vida.

Será absoluto, esse silêncio ? Estará realmente dormindo toda essa cidade?

Meu pensamento, então, caminha pelos hospitais, nessa hora em que bebês costumam fazer sua ruidosa estréia no palco da vida, passa por todos os trabalhadores cujo relógio biológico é ativado pela noite.
O sono lhes é roubado para que o nosso seja mais tranqüilo e seguro.

Uma freada brusca e um palavrão. Breve intervalo na calma aparente.
Alguém grita.. Um pesadelo?
Um filho chega em hora não autorizada e carimba olheiras na face da mãe...

Tudo acontece nessa hora em que julgamos que o mundo para.
O tempo vai passando, meus olhos continuam buscando novas luzes na noite que se descortina do alto dos vinte andares onde estou.

Em breve, o primeiro bem-te-vi vai pousar no prédio em frente, os ônibus voltarão a despejar sua fumaça no ar seco da cidade e os primeiros passantes seguirão rumo ao novo dia, sem imaginar que uma insone observadora segue seus passos que desaparecem na esquina.

Indiferentes, dia e noite se encontram, na eterna cerimônia da troca de guarda.

Um vento frio anuncia que a luz pode chegar a qualquer momento, que eu preciso fechar os olhos e deixar que o sono me abrace, na certeza que tudo está em seu lugar. Logo poderei olhar pela janela e ser grata por mais um dia, pela nova oportunidade com que a vida me presenteou, pôr em prática as resoluções que a noite me sugeriu e poder crescer um pouco mais...

Tudo está em seu devido lugar, as luzes começam a se apagar e fecho meus olhos, enfim repelta da noite, pronta para um novo amanhã...

Bom dia!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Para Voce....

Pleno inverno... e ele me vem como um sussurro e eu desejo que ele se importe e que sonhe com a minha verdade, trazendo de volta a juventude, o calor de sorrisos e sonhos.

Queria que ele se desse conta de que o amei, ainda, e até, demais...
O tempo, como o trem, corre pela vida, não apita na curva, não espera ninguém.
Mas eu me sinto livre para castelos de nuvens... Os planos de inverno se concretizam tão novos, tão velhos...

E ele compreende, percebe o invisível e vem... Uma palavra honesta, uma ilusão consentida, sem rosto, apenas uma voz que murmura em meus cabelos.
Depois da história contada o céu se funde em verdade, o amor continua vivo, presente, até o fim das estações.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Rio e as cores de Miró.

Desço a Serra das Araras, estrada limpa, rápida, em direção ao Rio de Janeiro....

E chego ao Rio.... Linha vermelha, amarela, sei lá que cor!
Vejo uma cena inusitada. Fim de tarde, de um lado o pôr do sol, de outro uma lua tímida, meio escondida...

Lembro de Miró... dos painéis que deixou no Palácio da UNESCO, em Paris. De um lado o Sol, do outro a Lua... e todas as cores, imagens...

Como Miró, o Rio oferece a quem o vê com olhos puros, uma interpretação peculiar do surrealismo pictórico.
A inquietude da vida, a exuberância e a rebeldia esfuziante expressos em traços fortes, únicos!
As cores primárias, suas preferidas, derramam-se por todos os lados, numa ligação com a fantasia infantil e sua poesia.

O Rio também é assim. Os camelôs, as pipas no ar, os campinhos de futebol de várzea, mesmo as nuvens de medo que pairam sobre o céu.

Cidade Maravilhosa, tão exposta pela mídia, execrada e mal-falada!

O Rio de Janeiro, minha gente, continua lindo! O carioca continua aqui, pelas ruas e calçadas, o cotidiano está aqui, rebelando-se contra os clichês, contra a violência que existe, sim, mas só aqui?
Como um país inteiro pode ver com um olho só? "Não vá ao Rio, cuidado, os tiros"! Mas e no resto do Brasil? Apocalipse? Now? Ou somos nós que alimentamos os monstros?
Tem-se feito mais apologia à violência que à resistência do carioca a essa onda de descaso e desamor...
Fala-se mais da bandidagem e pouco, quase nada, da dona de casa que continua indo à feira, do professor que continua na escola com seus alunos, da gente que continua indo e vindo.
Apropriar-se da cidade para que ela volte a ser do cidadão, apropriar-se da cidade e desapropriar a violência. Não aceitar um "status quo" e não deixá-la ser denegrida, esse é o papel do carioca!

Ele há de recuperar sua cidade, sua liberdade e sua alegria! E mostrar a quem tem essa mentalidade pequena, estreita e "caipira", na pior acepção do termo, que é um povo feliz e orgulhoso do lugar onde vive.

Que o Rio de Janeiro continue lindo!

Não sou carioca de nascimento mas o Rio será sempre a minha terra, a terra que me viu crescer, que me ensinou a amar e a respeitar o outro, na qual nasceram as minhas mais belas frases... meus amores... minhas filhas!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Vôo Rasante (um pesadelo)

Lancei o rosto ao vento,
louco espectro sem nome!
Voava e via, lá embaixo,
sangue, ferro, fogo e fome.

Se empunhei flores e cantos,
quem me seguirá buscando a sorte?
Quem virá, por mim, chorar
quando, do tempo, só restar a morte?

Perguntas sem resposta...

Os olhos saltando das órbitas,
a carne queimada, seu cheiro no ar,
Incandecentes palavras num grito de vida,
Poder! Morte! Fugir! Lutar!

Se houve braços abertos no sonho,
os olhos e os lábios falando de luz
Só o mártir viu verdade,
em berros, com ferros, pregado na cruz!

Não era isso que eu queria...
Gritei pelo dia, no tempo, um imbecil!
E as cores me fugiram pelos dedos,
assim como aquele corpo me fugiu.

Amor, ódio vão passando,
tudo, aos poucos, se esvai...
Nada sou e, nada tendo,
o vento cessa e o rosto cai.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Divagando

Aposentada, voce dedica esse novo tempo a redescobrir o prazer de coisas que não tinha tempo ou vontade de fazer....
Estou uma verdadeira desocupada, não tenho hora para dormir ou acordar.
Vagueio pela Internet, descubro que gosto mais do que pensava, viajo um pouco por esse vasto e, às vezes louco, mundo virtual.
Um site de relacionamentos me trouxe de volta os amigos da faculdade...
São trinta e três anos de recordações... O reencontro é emocionante e descubro sensações antigas mas tão novas...
Tínhamos vinte anos, éramos tão guerreiros e envolvidos com o que aquele tempo nos trazia...
Década de 70, anos duros para todos...
A maioria se perdeu com o tempo, cada qual seguiu seu caminho e depois, num segundo, nos falamos e trocamos fotos de filhos e netos, como se fosse ontem o dia em que estivemos juntos.
As emoções se confundem, as descobertas são muitas...
Muitos, como eu, deixaram a profissão e enveredaram por outros caminhos.
Um é político, outro continua maluco e compõe, tem um boteco, outra sobrevive brava e serena à crueldade de uma doença traiçoeira e há o Guinga, o nosso músico que o mundo saúda como um dos maiores da atualidade... Há os que ainda batalham por uma odontologia que garanta saúde...
Tanta gente que não se reencontra mas aqueles que respondem ao chamado me fazem sentir mais viva, mais capaz de ir em frente e atrelar o carro àquela estrela...
Envelhecemos, temos rugas e muitas histórias vividas. Alguns ainda estão no mesmo lugar. Eu coloquei a mala na cabeça e fui fazer minha história por esse Brasil...mais histórias, mais gente que deixou marcas em meu coração. É tão maravilhosamente estranho e, ao mesmo tempo, reconfortante.
Cada ruga, cada pequena marca é uma página dessa história que não quero apagar.
São as marcas do cotidiano, às vezes duro, sofrido, mas vivido intensamente.
Estou a um passo do que se convenciona chamar de terceira idade... mas o que é primeira ou segunda???
Como definir essas etapas? Apenas pelas marcas físicas? Ou pelos sentimentos e atitudes que as caracterizam?
Para mim não há fronteiras, pois somos hoje o que fizemos ontem.
Não somos um navio com compartimentos estanques mas um novelo que desenrolamos a cada dia...
Que sejamos capazes de mais encontros e reencontros, que não nos deixemos amarrar a clichês...

E hoje quero apenas dizer, com o coração taõ leve..... apenas BOM DIA!!!!

sábado, 12 de julho de 2008

Voce vai se aposentar

Falta um mês, uma semana...falta um dia...
Aos poucos você vai se desvinculando das coisas, da rotina, arruma gavetas e joga fora uma montanha de papéis gurdados ao longo dos anos.
Aquele recado importante, tão importante um dia, agora não passa de um papel escondido no fundo da gaveta.
Aí você começa a juntar numa caixa as coisas que vai levar, aquelas que foi acumulando durante tanto tempo, uma caixinha para guardar cartões, um porta-lápis, um bastão de incenso para os dias mais "pesados", tudo aquilo que foi espalhando à sua volta na tentativa de humanizar o local de trabalho... mentira, é a mania que a gente tem de fazer da mesa de trabalho a extensão de casa!
O dia vai passando e você já não tem tarefas ou prazos a cumprir.
Lê uma revista, acaba jogando paciência, busca novos sites na Internet e o tempo, na verdade, parece que não passa!
De repente você olha à sua volta e percebe que tudo continua, a "máquina" não parou, cada um com seus afazeres e você se descobre solitária, sem nada para fazer, a não ser deixar o tempo passar. Tudo limpo, arrumado, a mesa e as gavetas tão em ordem como nunca estiveram em dez anos...
Limpa os arquivos do computador ( bobagem, ele vai formatado novamente quando você sair) mas vai e deleta daqui, apaga dali, tudo aquilo que foi organizado em pastas especiais, continua recebendo propostas, releases, informações e os redireciona a quem de direitoe, então, percebe que não faz mais parte do grupo mas, apesar disso, tudo continua funcionando regularmente.
Você se pergunta... o que vou fazer amanhã? Não tenho horário a cumprir, cartão de ponto devolvido, appéis assinados e tudo acaba. Quase parece um divórcio amigável...
Acaba mesmo? Lá dentro uma dorzinha... será saudade?... mas você não vivia dizendo que não via a hora???
Na verdade, a tal dorzinha é aquelavoz que diz para você parar e lembrar de tudo que deixou de lado, dos projetos e sonhos adormacidos sob as jornadas de oito, dez, às vezes mais, horas de trbalho.
Isso é muito bom! Você descobre que há vida além desses muros, que seu trabalho é apenas parte da sua vida e que ela está apenas por recomeçar!
Revisitar os antigos sonhos, pôr em prática aqueles que você descobruiu que podia realizar se tivesse tempo disponível... e agoar você tem.
Ninguém é insubstituível. Nada para, só por que você paruo...
O mercado de trabalho te recebe de braços abertos mas não derrama uma lágrima quando você se retira. Há outros tão ou muito mais talentosos que aguardam sua vez de brilhar... Pois que brilhem!
De alguma forma você deixará uma marca... uma lembrança na memória de alguém, e iso debve te bastar.
Agora é hora de atrelar o carro àquela estrela que sempre pareceu tão distante.
Agora é horade descobrir e percorrer o novo caminho.